Apresentação

Bem-Vindo à Memorabilia do Ciclismo Português! Toda a história velocipédica lusa de antanho passa por aqui...

O presente blogue, pretende trazer ao conhecimento dos leitores, a epopeia do ciclismo lusitano desde os primórdios da competição velocipédica.
A colocação dos artigos, não segue uma ordem cronológica ou temática.
Não será publicado mais do que um artigo por dia.
A Redacção
NOTA: O blogue não adopta as normas do designado Acordo Ortográfico.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Alfredo Trindade


Alfredo Trindade
Alfredo Trindade nasceu a 3 de Janeiro de 1908, em Valada do Ribatejo, no Cartaxo. Em menino queria ser jogador de futebol e aos 15 anos era um dos melhores futebolistas ribatejanos enquanto exercia a profissão de carpinteiro. Certo dia partiu um braço e o pai disse-lhe que nunca mais jogaria, comprando-lhe então uma bicicleta para que esquecesse os pontapés na bola.
Num domingo foi de passeio a Salvaterra e ocorreu-lhe participar numa prova das festas da vila. Ficou em 3º e satisfeito. Pouco tempo mais tarde o pai acabou por arrepender-se de lhe ter comprado a bicicleta porque ele já não queria outra coisa.
Em 1928 falou com Aníbal Firmino da Silva, que corria em Carcavelos, para o ajudar a entrar para o Sporting - o clube com que simpatizava. Entusiasmava-o as vitórias leoninas no futebol apesar de nunca ter visto jogar os seus ídolos. A ideia de vestir a camisola verde e branca deslumbrava-o. Começou a correr como individual, mas em 1929 já com 21 anos de idade, passou a representar o Sporting Clube de Portugal.
Era um ciclista franzino que quase não aparecia na bicicleta, mas a sua enorme raça de lutador tornava-o num gigante.
Alfredo de Sousa (um ciclista leonino da altura) acabou por propô-lo para sócio, o que se concretizou em 28 de Maio de 1930, ficando com o número 3.127.
Na lª prova de "fortes" em que participou ficaram 16 ciclistas à sua frente... Foi uma desilusão. Depois fez Lisboa-Benavente, ficou em 4º e mais animado. Esteve 1 ano no Sporting, mas a organização da secção de Ciclismo não era a melhor, pelo que se desinteressou e passou para o União Clube Rio de Janeiro onde esteve 2 anos ficando em 2º (1931) e vencendo uma Volta a Portugal (1932), numa altura em que os seus duelos com o benfiquista José Maria Nicolau começavam a arrebatar o país. Entretanto a secção de Ciclismo do Sporting reorganizava-se, no Rio de Janeiro passavam-se situações que o desgostavam e tudo se conjugou para que voltasse ao Sporting. Como "bom leão", regressou.
Em 1933 já no Sporting, renovou o título ganhando 8 etapas da competição, sendo assim o primeiro ciclista a vencer esta prova por duas vezes e também o primeiro a conquistar a Volta a Portugal ao serviço do Sporting Clube de Portugal, que nesse ano também ganhou a competição por equipas. Para além disso, nesse ano foi Campeão Regional de Fundo, entre outras vitórias conseguidas nas diversas provas que se disputavam no nosso País.
Nesse ano, conseguiu ser o melhor português na la Volta a Pontevedra - alcançando o 10º lugar, para em Julho se sagrar campeão regional (depois seria campeão nacional) de fundo (o seu 1º título significativo de verde e branco vestido). Pouco depois venceu a sua 2ª Volta a Portugal (na lª vez que o Sporting conseguiu ter um ciclista vencedor e triunfar colectivamente) dando mais de 43 minutos de avanço ao seu colega de equipa Ezequiel Lino! Ainda no mesmo ano, a Federação Ciclista Brasileira convidou-o para correr 3 provas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Venceu todas. Segundo os jornais desse tempo, perto de 30.000 emigrantes portugueses vibravam com os triunfos do "corredor lusitano".
Em 1934 foi forçado a desistir da Volta depois de ter sido atropelado por um motociclista da prova, mas nem por isso deixou de fazer uma boa época, na qual foi Campeão Nacional de Fundo e ganhou os 100 Km da UVP entre outras corridas, numa altura em que os seus duelos com José Maria Nicolau tinham transportado o "derby" Sporting-Benfica para as poeirentas estradas portuguesas.
Em 1935 representou o "Velo Clube - Os Leões" de Ferreira do Alentejo, mas uma lesão impediu-o de participar na Volta a Portugal.
Em 1936 voltou novamente ao Sporting, sendo o "chefe de fila" a par de Felipe de Melo, numa época onde ganhou pela primeira vez o Porto-Lisboa e foi também o grande vencedor do I Circuito Internacional da UVP e do Circuito das Beiras, para além de se ter sagrado campeão Nacional de Fundo pela 2ª vez, isto num ano em que não se disputou a Volta a Portugal.
No ano seguinte (1937) deslocou-se ao Brasil, onde ganhou por duas vezes um circuito no Rio de Janeiro e uma corrida de 120 Km entre Rio de Janeiro-Petropolis-Rio de Janeiro, sendo no final euforicamente gloriado por mais de 20 mil emigrantes portugueses, isto para além de ter sido recebido efusivamente no seu regresso a Portugal, pois as vitórias de desportistas portugueses no estrangeiro eram uma verdadeira raridade. Era a sua terceira experiência além fronteiras, depois de em 1934 ter estado na Volta a Pontevedra e de no ano seguinte ter participado em algumas corridas realizadas em Paris.
Em 1938 e 1939 já na fase descendente da sua carreira, voltou a desistir na Volta a Portugal, uma competição onde Alfredo Trindade ganhou um total de 14 etapas, tornando-se assim a primeira grande referência do ciclismo leonino.
Em 1940 já com 32 anos de idade, abandonou o Sporting e correu como independente e pelo Belenenses.
Em 1942 regressou novamente ao Sporting onde ainda contribuiu para alguns êxitos colectivos. No treino, Trindade fazia diariamente 40 km, e uma vez por semana 100. Completava-o com ginástica respiratória e saltos à corda, para além da massagem (que não dispensava) e assistência médica - fazia exames frequentemente para saber o estado do coração, dos pulmões e dos rins. Depois do Ciclismo, preferia a dança e o futebol. Gostava também de nadar e fazer remo. Admirava muito Jorge Vieira, mostrando uma predilecção por todos os desportistas do Sporting. Aliás, foi ele que trouxe para o Futebol do Sporting um jogador "alto e magricela", chamado João Martins, o avançado que substituiu Peyroteo, brilhando nas equipas leoninas dos anos 50 e que viria a ser uma das principais figuras da História do futebol leonino.
Em 2005 foi distinguido com o Prémio Stromp na categoria Saudade.

Fontes: Forum Sporting, Sporting Canal e Cycling Archives
Foto: Revista Stadium 1933

Sem comentários:

Enviar um comentário