Apresentação


O presente blogue, pretende trazer ao conhecimento dos leitores, a epopeia do ciclismo lusitano desde os primórdios da competição velocipédica.
A colocação dos artigos, não segue uma ordem cronológica ou temática.
Não será publicado mais do que um artigo por dia.
A Redacção
NOTA: O blogue não adopta as normas do designado Acordo Ortográfico.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

José Diogo de Orey

José Diogo de Orey

José Diogo de Orey nasceu em Lisboa, em 1873. Filho de pais ricos, frequentou os melhores colégios na Alemanha, onde ganhou o gosto pelo velocipedismo. Aos 18 anos, era já um desportista eclético, pois, além do ciclismo, praticou natação, remo, futebol e pedestrianismo, ramos de sport que lhe deram várias medalhas e troféus. Em Portugal, corre pela primeira vez numa prova ciclista em 1892, entre Sacavém e Santarém, 70 Km, onde obtém o 2º lugar, depois do campeão Eduardo Minchin. Na época seguinte ganha o campeonato de Portugal de corridas de velocidade. Foi um dos iniciadores da secção de ciclismo do Real Ginásio Clube Português. É sócio do Real Clube Velocipédico de Portugal, Real Velo-Clube do Porto, Velo-Clube de Lisboa, Cyclo Clube de Coimbra, Ginásio Aveirense, Real Clube Naval e de muitos outros, sendo de alguns fundador. José Diogo de Orey correu em Espanha nas cidades de Corunha, Vigo, Sevilha, competindo com alguns conhecidos ciclistas, tais como Curbera, Rafael del Mello, Arguilles e Klein. Em 1894 visitou os principais círculos velocipédicos de Paris, e no ano seguinte esteve na Inglaterra por idêntico motivo. O rei D.Carlos, ofereceu-lhe uma rica salva de prata. Aos 22 anos, é já um homem de negócios. Acha-se no Algarve, tratando de negócios comerciais, o nosso amigo, Campeão de Portugal, José Diogo de Orey.
(A Bicycleta, 1/10/1895)

Fonte e Foto: "José Bento Pessoa - Biografia", de Romeu Correia

domingo, 25 de janeiro de 2015

Inauguração do Velódromo D.Carlos

Tribuna Real do Velódromo D.Carlos

A 28 de Junho de 1896, inaugura-se em Algés, o Velódromo D.Carlos, segundo alguns, o melhor da Europa, a seguir ao Sena. Uma pista com 500 m de perímetro. A festa, marcada para as 15H00, teve o seu início perto das 16H00. O programa era composto por 7 corridas de bicicletas. Na 1ª, Preparatória, 2 voltas à pista na distância de 1000 m, vence José D'Orey, seguido de Manuel Ferreira, em 2m e 25s. Na 2ª de Juniores (Velocidade), 4 voltas na distância de 2000 m, vence Manuel Ferreira na 1ª série, seguido de F.Martinho, em 3m e 9s. Na 2ª série, Manuel de Sousa Júnior, seguido de Raul Lisboa, em 3m e 10s. Na Final, vence Manuel Ferreirinha, seguido de Manuel Sousa Júnior, em 4m. A 3ª corrida de Seniores (Velocidade), com 6 voltas (3000 m), vence José D'Orey, seguido de José Bento Pessoa, em 5m e 55s. Na 4ª de Tandens, com 10 voltas (5000 m), vencem José D'Orey e José Bento Pessoa, seguidos de Eduardo Minchin e Manuel Ferreira, em 11m e 10s. Na 5ª de Seniores (Resistência) com 20 voltas (10.000 m), vence José Bento Pessoa, seguido de Eduardo Minchin, em 18m. Na 6ª corrida de Juniores (Resistência) com 10 voltas (5000 m), vence na 1ª série Luís Neves, seguido de J.Vasconcelos, em 9m e 30s. Na 2ª série vence Sousa Júnior, seguido de Raul Lisboa em 9m e 12s e na Final vence Sousa Júnior, seguido de Luís Neves, em 9m e 10s. Na 7ª corrida de Consolação, com 2 voltas (1000 m), vence F.Martinho com o tempo de 2m e 12s.
O evento foi marcado pelo protesto de inclusão de Manuel Ferreira na corrida de juniores, pela sua queda na 6ª corrida, pela avaria na máquina de Correia de Sá e pelas "emballages" de José Bento Pessoa e Manuel de Sousa Júnior, um novato que bateu o veterano Luís Neves.
Durante as corridas, tocou a charanga de Lanceiros.
A Família Real não assistiu, como fora anunciado, por motivo de luto pelo Duque Némours.

Fonte: Revista "A Bicycleta", de 01 de Julho de 1896
Foto: Ibidem

sábado, 10 de janeiro de 2015

Os 50 Km Clássicos

Alberto de Albuquerque vence os 50 Km Clássicos de 1910

Os 50 Km Clássicos, era uma importante prova clássica velocipédica que fazia parte do calendário nacional de competição da Federação Portuguesa de Ciclismo (UVP-FPC) e que normalmente abria a temporada velocipédica em cada ano. Nos anos 20, 30 e 40 do séc.XX, assumiria particular relevância e importância. Contudo, deixaria de fazer parte das provas oficiais com esse nome, no início dos anos 50. Podemos recuar até ao ano de 1910, para a descobrirmos já com essa designação. Em Junho de 1910, a prova realiza-se num percurso com partida no Campo Grande e passagem por Sacavém, Póvoa, Caniços, Loures, Lumiar e chegada às Larangeiras. Dos 45 ciclistas inscritos, alinham somente 37 concorrentes. A partida, marcada para as 14H00, só se verifica às 14H25m. Até Sacavém, os ciclistas seguem em pelotão, mas na subida a seguir a essa localidade, Alberto de Albuquerque e Carlos Barros distanciam-se dos restantes corredores. Em Caniços passam com 5 minutos de avanço e em Loures já com 10 minutos. Carlos Barros, que até aí mantivera-se sempre colado a Albuquerque, acaba por ceder quando este último impõe uma pedalada mais vigorosa, subindo mesmo com facilidade a Calçada de Carriche. Carlos Barros, consegue no entanto manter a vantagem para os restantes ciclistas. Alberto de Albuquerque do Sport Lisboa e Benfica vence, gastando 1h e 38m à média de 30,6 km/h, seguido de Carlos Barros do Q.L., Joaquim Dias Maia e Manuel Larangeira Guerra. O júri da partida era constituído por Cosme Damião do SLB, Falcão Rodrigues da UVP e Idomeu Rocha do Velo Club. Carlos de Barros protestaria a prova, alegando que o carro de apoio de Albuquerque levantava muitas nuvens de poeira, prejudicando assim os outros concorrentes e a UVP acaba por aceitar a reclamação, repetindo posteriormente a mesma a 25 de Setembro.

Eduardo Lopes vence os 50 Km Clássicos de 1943

Fonte: "Os Sports Ilustrados" Nº 2, de 18 de Junho e Nº 15, de 17 de Setembro de 1910
Fotos: "Os Sports Ilustrados" Nº 15, de 17 de Setembro de 1910 e Revista Stadium 1943

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Aristides Martins

Aristides Martins
Faleceu Aristides Martins hoje, dia 3 de Janeiro de 2015, aos 98 anos de idade. Aristides Martins nasceu a 21 de Dezembro de 1916, em Lisboa. Cedo começa a praticar ciclismo, sua modalidade de eleição, apesar de ter praticado outros desportos, ingressando no Sporting em 1937 e logo nesse ano vence os 50 Km, os 100 Km Clássicos e os 50 Km Contra-Relógio, sagrando-se assim Campeão Distrital na categoria de Amadores. Em 1938, representando a CUF, vence novamente os 50 Km Clássicos e fica em segundo lugar no Circuito de Preparação para Amadores, que viria a aliás a vencer no ano seguinte de 1939, pelo mesmo clube. Em 1940, classifica-se em 9º lugar na Volta a Portugal, a correr pelo Campo de Ourique. Em 1941, a correr ainda pelo CACO, termina na 6º posição na Volta a Portugal, bem como fazendo 5º lugar em 1946, já representando novamente o Sporting Clube de Portugal, ano em que vence igualmente o Circuito da Malveira, entre outras vitórias várias, num total de 36. Após concluir a sua carreira como ciclista, dedica-se à modalidade, possuindo uma loja comercial de bicicletas muito conhecida no Campo Grande e impulsionando o ciclo-turismo e o ciclismo nas camadas jovens, bem como sendo ainda treinador do SCP e posteriormente seleccionador nacional.
Escreve o livro "Manual do Ciclista", editado em 1962.
O funeral tem lugar 3ª feira, dia 6, partindo da Igreja de São João de Brito, em Alvalade, pelas 14H00.

Aristides Martins

Fonte: "UVP-FPC, Cem Anos de Ciclismo", da Federação Portuguesa de Ciclismo
Fotos: Revista Stadium de 1943 e Cortesia e Copyright (c) Jornal Ciclismo